Mosca da Azeitona- Bactrocera Oleae (Gmelin)
É esta a praga que maiores prejuízos económicos provoca na cultura. Com uma área de distribuição geográfica que se estende por toda a bacia Mediterrânica e desde tempos recentes América do Norte e Central. Tem vindo a expandir-se nas regiões de Entre Douro e Minho, em parte devido ao abandono da cultura da Oliveira e a consequente não apanha da azeitona, factor que de ano para ano favorece o aumento das populações.representando sérios riscos para os novos olivais plantados naquelas regiões.
Morfologia
Os insectos adultos são pequenas moscas com 4-5 mm de comprimento. Coloração acastanhada. Asas alongadas incolores.
O ovo é branco-leitoso, com cerca de 0,8 mm de comprimento e 0,2 mm de largura e é depositado no mesocarpo do fruto.
A larva neonata tem apenas 1 mm de comprimento. O estado larvar apresenta três estágios de desenvolvimento, facilmente identificáveis: L1 (1 mm de comprimento), L2 (1-3 mm de comprimento) e L3 (3-6 mm de comprimento).
Pupa de tipo coarctata, encerrada num pupário, com cerca de 4-5 mm de comprimento.
Biologia
O número de gerações anuais é variável dependendo de factores climáticos, sendo as zonas do litoral do nosso país aquelas que apresentam condições mais favoráveis ao seu desenvolvimento ( até 4 a 5 gerações anuais).
A Bactrocera Oleae hiberna sob a forma de adulto na árvore e sob a forma de larva ou pupa nos frutos que ficam por apanhar. Pode ainda passar o Inverno, sob a forma de pupa, enterrada entre 1 a 5 cm no solo dos olivais.
No fim do Inverno inicio da Primavera, com actividade mais acentuada nos meses de Maio-Junho, os adultos que apresentam uma grande capacidade de voo, espalham-se colonizando novos olivais. Aquando do amadurecimento do caroço, as fêmeas (após acasalamento) depositam os ovos inserindo-os sob a epiderme, um em cada azeitona. Cada fêmea produz 300 a 400 ovos.
Uns dias após a postura o ovo eclode originando uma larva branca (L1) que, à medida que se vai desenvolvendo, vai escavando galerias na polpa da azeitona de que se alimenta. no final do seu desenvolvimento (L3) transforma-se em pupa, no interior da azeitona, dando origem a um novo insecto. Este processo repete-se ao longo do ano. Cada geração dura cerca de 25 a 30 dias.
Com a aproximação do Inverno as últimas larvas deixam-se cair das azeitonas ao solo, onde se enterram sob a forma de pupas, muito resistentes ao frio e aos insecticidas, mas que morrem se ocorrer um período prolongado de temperaturas abaixo de 0ºC conjugado com elevada humidade do solo.
A temperatura óptima de desenvolvimento da mosca da azeitona situa-se entre os 20 e os 30ºC. Acima dos 30ºC as posturas são fortemente reduzidas. Acima dos 35ºC ovos, larvas e pupas morrem. Abaixo dos 15ºC cessam as posturas.
Prejuízos
Os prejuízos originados pela mosca da azeitona são qualitativos e quantitativos. a actividade da larva no interior da azeitona afecta o seu desenvolvimento e provoca a sua queda prematura. Azeitonas de mesa são desvalorizadas pela presença da picada de postura da mosca, podendo os prejuízos neste caso ser totais. No caso das variedades para produção de azeite, as azeitonas atacadas dão origem a azeites ácidos e com elevados índices de peróxido.
Podemos portanto considerar os prejuízos dividindo-os em três componentes:
- queda prematura dos frutos (danos em alguns vasos condutores reduzem a resistência ao desprendimento);
- consumo de uma parte do mesocarpo do fruto, pela larva, de que provem uma considerável perda de azeite
- redução da qualidade do azeite pelo aumento da acidez.(consequência da hidrólise dos ácidos gordos acelerada pela oxigenação provocada pelos orifícios de saída das larvas de 3º instar).
No caso das azeitonas para produção de azeite o fenómeno descrito no ponto anterior assume uma maior importância quando as azeitonas são armazenadas durante muito tempo antes de serem laboradas).
Estimativa de risco e vigilância da praga
Com o objectivo de tornar os tratamentos mais eficazes, é necessário ter um bom conhecimento das flutuações das populações de adultos. Esta previsão dos riscos faz-se a maior parte das vezes com recurso ao uso de armadilhas. A sua utilização para avaliar da necessidade da realização de tratamentos e para fixar o momento mais oportuno, supõe uma redução efectiva do uso de insecticida. Deve-se no entanto associar a amostragem regular de frutos de forma a avaliar o risco real.
Na vigilância da praga são utilizados diversos tipos de armadilhas:
Na vigilância da praga são utilizados diversos tipos de armadilhas:
- armadilha alimentar (com solução de fosfato de amónio- 30 a 40 gramas / litro de água);
- armadilha sexual (tipo delta com feromona);
- armadilha cromotrópica amarela e sexual (placa amarela com cola e feromona).
Meios de protecção
Luta Biológica
Os predadores do solo, como os carabídeos e formicídeos, podem ter alguma importância na redução das populações de pupas hibernantes e de adultos recém-emergidos. Formicídeos e vespídeos foram já observados a retirar larvas e pupas do interior de azeitonas.
As aves também são importantes predadoras, ao alimentarem-se dos frutos maduros atacados, ou directamente dos insectos- larvas da traça, mosca da azeitona, cochonilhas. Habitam os olivais aves auxiliares como toutinegras-de-cabeça-preta, chapins-reais, chapins azuis, carriças, melros, papa-figos, estorninhos pretos, tordeias, ferreirinhos e abelharucos.
A colocação de ninhos artificiais para as aves podem ser extremamente benéficos. Se ao mesmo tempo utilizarmos ranhuras na parte inferior interna da cobertura do ninho podemos atrair também morcegos para habitar o nosso olival favorecendo desta forma a diversidade biológica e promovendo um maior equilíbrio ecológico.
O tratamento biológico, mediante a largada em massa de Opius concolor tem sido tentado em vários países. Diversos ensaios em larga escala mostram a eficiência das largadas inundativas deste parasitóide. Embora tenha reduzida importância no controlo da praga.
Tem sido utilizado com êxito um insecticida biológico à base de spinosade. Trabalhos recentes com outro insecticida biológico, à base de diversas estirpes de Bacillus thuringiensis, abrem igualmente novas possibilidades de luta contra contra a mosca da azeitona. É possível fazerem-se também pulverizações à base de argilas (caulinite), que funcionam como barreira à postura. Trabalhos experimentais demonstram eficácia superior a 80% na redução das posturas.
Luta biotécnica
Captura massiva- utilização de garrafas de plástico contendo uma solução atractiva. As garrafas devem ser colocadas na parte da copa virada a sudeste, na razão de uma para cada 2 ou 3 oliveiras. Colocar a partir de Junho e reforçar se as populações de mosca forem elevadas. Com este método, consegue-se capturar e elevadas. Com este método, consegue-se capturar e eliminar grande parte da população de moscas.
Luta atracticida- Utilização de dispositivos de atracção e morte contendo um atractivo alimentar ou sexual e um insecticida. As moscas são atraídas a estes dispositivos e ao entrarem em contacto com o insecticida, acabam por morrer. É um método compatível com a produção biológica, tal como a captura massiva e a utilização de argilas e insecticidas biológicos.
Medidas preventivas e de conservação
O enrelvamento do solo do olival, o estabelecimento de sebes e bandas de vegetação natural na sua periferia, favorecem a existência e a multiplicação de insectos e de outros organismos auxiliares. Devem-se evitar a utilização de herbicidas e os tratamentos insecticidas contra a mosca pois estes tratamentos afectam também os organismos auxiliares o que provoca consequentemente uma perpetuação de utilização desse tipo de tratamentos.
A antecipação da colheita pode ser uma forma de evitar os ataques da praga no Outono.
A apanha e destruição das azeitonas atacadas caídas e a mobilização superficial do solo no principio e no fim do Inverno, ajudam, a longo prazo, à diminuição das populações de mosca da azeitona.
As azeitonas provenientes de olivais atacados devem ser laboradas de imediato, impedindo assim o seu apodrecimento e minimizando a adulteração dos azeites produzidos.